Seguir em Frente – o desafio da superação de uma tragédia.

Frequentemente somos surpreendidos com notícias sobre desastres e calamidades. Enquanto elas estão ali, dentro da televisão, na página de uma revista, no monitor do notebook respiramos aliviados, perplexos com a tragédia ao mesmo tempo imaginando: “graças a Deus que isso não ocorreu comigo. Realmente ninguém imagina ou espera que uma tragédia lhe aflija.
Mas, seu um dia uma tragédia dessas lhe afligir? Você já pensou nisso?
Não existe dor maior que a morte de um filho; O desespero de ver todos os seus bens sendo levados pela água e pela lama; A dor de uma doença que lhe tira a vida aos poucos; A dor de ver quem você ama sofrendo. O que fazer para resignificar o sentido de continuar vivendo?
Segundo a opinião de especialistas, ao enfrentar uma situação traumática, o ser humano vivencia três situações bastante recorrentes em todas as vitimas. Primeiro vem a perplexidade e o desespero, um imenso sentimento de vazio e perda de significado. É uma situação na qual nos perguntamos: “porquê?”
Depois vem o sofrimento e o luto, um estado em que mecanismos psicológicos são acionados para elaborar o sentido daquela perda e o significado de estar vivo. É um momento muito critico no qual se revive inúmeras vezes a situação traumática e as fobias se manifestam em eventos de pânico e medo inexplicáveis. Também a agressividade e a intolerância evidenciam um quadro depressivo, sintoma de uma necessidade de respostas.
Com ajuda e apoio, passa-se para um outro estágio que indaga o futuro: “no que vou me transformar?”. Podemos nos transformar em pessoas amargas e infelizes com sentimentos de vingança e ressentimento ou, sucumbir em processos de vitimização e isolamento. Existem pessoas que são mais resilientes, suportam com mais resistência e encorajam outros na mesma situação ao atribuir a situação traumática um significado positivo, como a superação e o crescimento pessoal.
Um personagem clássico, que ilustra o sofrimento humano, pode ser encontrado na história bíblica de Jó, onde uma calamidade semelhante lhe aflige matando seus filhos em uma tempestade que destrói sua propriedade e seu gado, e, para agravar ainda mais, seu corpo é tomado por tumores. O personagem a princípio não entende como sua vida vira de pernas pro ar da noite para o dia, nem seus amigos e a esposa o compreendem, afirmando que tudo o que ele estava passando certamente era fruto de algum pecado. Na verdade, ele compreende sua situação na medida que se distancia da opinião dos outros e que se apega as convicções que a sua fé em Deus lhe fortalece.
Outro exemplo é o apostolo Paulo, falando sobre o sofrimento que o seu trabalho de evangelização pelo mundo lhe impingia, desde prisões e naufrágios. Vale a pena prestar muita atenção a esse aspecto quando ele declara: “Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia; Somos reputados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir; Nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor”. (Romanos 8: 35-39).
Nós jamais teremos uma resposta satisfatória para o sofrimento, entretanto, se guardamos esta convicção, de que o amor de Deus nos oferece a força necessária para seguirmos em frente, e que essa força nós realmente não a possuímos, mas encontramos Nele, nos sentimos fortalecidos e amadurecidos pela dura experiência de vida. Aperfeiçoados em amor podemos, deste modo, ajudar outros nesta mesma jornada de superação.

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